Os Dias Da Mulher

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Ela acordou cedo, tinha sono mas as três filhas por despachar já esperavam por ela. Pediu às mais velhas para se vestirem , já tinha preparado a roupa no dia anterior.  Vestiu a bebé e foi preparar o pequeno almoço, pão e leite com chocolate , deu uma bolacha à mais nova para não chorar enquanto comiam. Preparou as três lancheiras para a escola: tirou do congelador uma sopa ( que faz aos domingos para a semana toda) , pegou em duas peças de fruta para triturar, lembra-se que ainda  tem de lavar o biberão da noite para mandar com o leite e juntar uma dose de papa. Mais os lanches das mais velhas que tenta que sejam saudáveis, o pão de leite, o leite com chocolate, os morangos que lavou e cortou.

Já estava quase em cima da hora, as miúdas foram lavar os dentes, levou a bebé para cima e colocou-a no ovinho enquanto toma um duche rápido. Saiu do duche e vestiu-se. olhou para o relógio e apressou-se a chamar as miúdas, só mais um brinquedo, agora a mais velha que se esqueceu do gancho no cabelo, mais um cócó da bebé que tem de trocar , as lancheiras, as mochilas, os casacos. Quer secar o cabelo, quer colocar uma maquilhagem para se sentir mais bonita, quer pôr os brincos e o fio que nunca usou. Quer escolher a roupa com mais cuidado. Quer sentir-se mais feminina, mais mulher. Apanhou o cabelo e saiu carregada para a rua. Tem de voltar atrás porque a mais velha caiu e esfolou um dedo, grita e chora , vai acabar o mundo se não lhe puser um penso. Volta atrás, afasta o cão que quer sair para a rua. Volta a sair de casa, a gata está na rua, mas que raio, mete-a dentro de casa. Os livros, não se pode esquecer dos livros que tem de levar para a escola , a professora pediu por ser o dia da mulher. Leva os livros que falam de mulheres fantásticas que mudaram o mundo. Hoje teve sorte e não apanhou trânsito, chegou a horas à escola das mais velhas, deixou a cama por fazer, a mesa por levantar, a bancada da cozinha ficou desarrumada. Reza para que a cadela não coma a manteiga outra vez ou não ataque o saco do lixo que se esqueceu de trazer. Ela é uma mulher moderna, independente, dá conta de três crianças, trabalha e trata da casa sozinha e está grata por isso. Deixou a mais velha na sala, trocou ideias com a professora, deixou a do meio no pátio a brincar, perguntou à educadora se estava tudo bem, carrega o peso do ovinho até ao carro novamente, a bebé dorme, mas até é melhor assim. Arranca com o carro e vai deixá-la à creche, dá os recados e finalmente respira. Percebe que se esqueceu de deixar a comida a descongelar para o jantar. Fica preocupada mas avança para o trabalho. Chega e prepara a secretária para mais um dia. Faltam dez minutos para a hora. Na hora de almoço aproveita para tratar alguns pendentes, come em cinco minutos. Volta para o trabalho . Sai à hora certa, percebe os olhares dos colegas por não ficar mais tempo, percebe os comentários do chefe, as indirectas que vai ouvindo pelo caminho. Acham que não se dedica o suficiente, não tem “estofo ” para a profissão. Vê os colegas serem promovidos enquanto ela fica pelo caminho, mesmo assim cumpre objetivos e supera expectativas. Prefere não pensar no assunto. Apressa-se para ir buscar as miúdas à escola, dá de mamar à mais nova, leva as mais velhas à música. Vai para casa já tarde, faz a cama que ficou por fazer de manhã, prepara os banhos , mete uns douradinhos no forno e sente-se culpada por lhes dar comida de porcaria. Seca-lhes o cabelo, veste-lhes o pijama, tira a mesa do pequeno almoço, põe a mesa do jantar, limpa a bancada, arruma a loiça da máquina, aspira a sala e a cozinha, quer aspirar o resto mas deixa para amanhã. Leva o cão à rua, chama as miúdas para o jantar.Esperam pelo pai que ficou a trabalhar até mais tarde. Nunca sai a horas. Acaba o jantar e tira a loiça da mesa, deixa a toalha para o pequeno almoço de amanhã. Dá a papa à mais nova e vai adormecê-la enquanto o  marido adormece as mais velhas. Adormeceu com elas, devia estar cansado de trabalhar tantas horas. Vai para o sofá, fica sozinha a ver um pouco de televisão. Descansa mulher. Amanhã começa tudo outravez.

Gosta do silêncio que se faz na casa antes de adormecer. Fecha os olhos até acordar sobressaltada com o barulho do despertador. Já é manhã.

Expliquei às minhas filhas na viagem para a escola o significado do Dia da Mulher, a importância de lutarmos pelos nossos direitos. Perguntaram-me porque não havia um dia do homem , tive de lhes explicar que existe o dia da mulher para nos relembrar enquanto sociedade que a mulher tem os mesmos direitos que os homens , contei-lhes que em alguns países do mundo as mulheres ainda não podem fazer ou ser o mesmo que os homens. Dou-lhes a explicação correcta do Dia da Mulher, ao mesmo tempo que rezo para que não passe na rádio mais um relato de uma mulher assassinada pelo marido, namorado ou amante . Um dia elas também vão escolher alguém com quem por amor vão querer partilhar uma vida, uma casa, uma família. Espero que  tenham o discernimento e a voz para se fazerem valer pelos seus direitos, o direito de partilharem não só uma cama mas também as tarefas, de dividirem não só uma casa mas também os deveres. Que o amor que tenham pela outra pessoa nunca seja superior ao amor que devem ter por si mesmas, que nunca confundam paixão com ciúme e que nunca mas nunca acreditem que se bate por amor, que se subjuga por amor, que se humilha por amor, porque  no coração que ama não há violência, no coração que ama não há maldade.

Que por amor sejam felizes, mas que por amor não se deixem ficar.

Gostava de dizer que mudou muita coisa na rotina das mulheres portuguesas, que me permita festejar este dia com tranquilidade e confiança num futuro melhor. As mulheres ganharam o direito de trabalhar fora de casa, independência financeira, e tantas outras regalias, mas nem por sobras conseguimos ainda o direito à igualdade de género, ainda há muito a fazer e muito a educar. Hoje vamos ouvir como somos extraordinárias, vão haver mensagens, emails e posts nas redes sociais a  gratificar a mulher que somos,vamos ter o jantar feito ou vamos jantar fora, vamos ter uma rosa ou um banho de espuma. Hoje.

Que este dia nos mostre que a única voz que precisamos de ouvir é a nossa. Porque somos extraordinárias. Que neste dia e em todos os outros se levante a voz de todas as mulheres fantásticas  que ainda não se ouviram  para que tenham a coragem de denunciar comportamentos doentios, para sair de uma rotina tóxica, para abandonar o que não as faz feliz, porque não merecem menos . Merecem mais.

Feliz Dia Da Mulher.

Uma vida é pouco para amar

sofia family | is-18Queria tê-las sempre assim, debaixo da minha asa e onde a vista alcança. Queria que o meu colo nunca ficasse pequeno demais para elas. Que a mais velha não tivesse já ares de pré adolescente, que a do meio não fosse já para o primeiro ano e a mais nova, (que vai fazer tudo primeiro com pressa de apanhar as irmãs) ,não  corresse tanto e se demorasse no meu peito. Queria estar sempre com elas, não perder nada do que as faz sorrir, nem chorar. Estar lá sempre que fizesse falta,e estar lá também quando elas acharem que não faço falta nenhuma.

Queria segurar o mundo nas minhas mãos, examiná-lo bem com lentes de aumentar, tirar-lhe os perigos e devolvê-lo já seguro.

Queria tanto não perder nenhum sorriso, nenhuma história ao deitar, aquela música que as faz pular e o miúdo que as faz suspirar.

Principalmente queria que o tempo não passasse tão depressa, que os dias tivessem mais horas e as horas mais minutos.  Que um segundo não fosse um instante e que num instante não fossem já mulheres .  Mas o tempo não liga ao que peço, vai passando e apagando a memória do choro agudo, da cara suja de papa, da primeira palavra e o primeiro passo, do dia em que se sentaram  e daquele em que falaram. O tempo vai levar as memórias de um rosto pequenino, que ao vê-las mulheres nunca mais me vou lembrar. E num instante quando acordar tenho rugas na cara, casa vazia e saudade no olhar. E num instante , nesse mesmo instante , vou desejar ter trabalhado menos e passeado mais, ter gritado menos e conversado mais, ter chorado menos e gargalhado mais. Vou desejar ter dado mais beijos, abraços, colo e mimos. Mais ainda mais. Muito mais.

Se ao menos o tempo pudesse avisar que uma vida é pouco para amar.

 

Sofia Franco

(sem filtros)

 

 

 

 

 

 

Quem é a portuguesa que quer embarcar na proxima expedição Fjällräven Polar?

 

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Conheci a Liliana por acaso, mas assim que pus os olhos nela que soube que tinha algo de diferente. E não me enganei. A Liliana só tem 29 anos mas já correu o mundo sozinha de mochila às costas, vem de uma cidade do interior mas os seus sonhos são do tamanho do Mundo. Pedi-lhe que me contasse um pouco do que já viveu, por onde passou e do que a faz feliz. Não hesitou: os animais e viajar.

Liliana é enfermeira veterinária de profissão, por influência dos seus pais que eram agricultores .Foi há quatro anos que  descobriu que  o seu”bichinho” era mesmo viajar.  Decidiu fazer ouvidos surdos à voz da razão e partiu para a sua primeira viagem a solo  com destino à Indochina. (Vietnam,Cambodja e Laos).

Já viu muito do mundo desde essa data , Tailândia, Myanmar, Austrália. Fiji, Marrocos, Singapura entre tantos outros destinos… Para financiar as suas viagens, a Liliana junta todos os trocos  que consegue e  chegou mesmo a trabalhar nos países de destino como na Austrália, quando o dinheiro chegou ao fim.

Diz que passa horas entretida em planear as suas viagens, sempre de sorriso na boca, mais ou menos o mesmo sorriso que agora tem quando fala da expedição ao Artico Polar Fjällräven Polar, o seu próximo desafio.

“É uma experiência única na vida, algo que se conseguisse conquistar me faria superar a mim mesma , pois na verdade não sou grande amante do frio, e também é por isso que quero tanto ir , para lutar contra a minha fraqueza!”, explica-me a Liliana

Esta expedição é patrocinada pela marca de equipamentos para o ar livre com o mesmo nome e destina-se a “pessoas comuns” que percorrerão os 300km num trenó puxado por cães.

Para ter lugar na expedição Liliana precisa de ser selecionada como uma das representantes da região. A selecão é feita por número de votos. Este ano a Liliana é a unica candidata feminina à expedição.

Confessa que esta sua paixão por viajar e superar-se a si mesma já lhe trouxe alguns dissabores nas suas relações pessoais:

“Criticam-me porque em vez de constituir familia, comprar casa e ter filhos, decidi viajar”, diz Liliana. ” Mas não me importo com a opnião das outras pessoas quando sei que faço o correcto e não faço mal a ninguém.”

Reconhece que viajar mudou o seu ponto de vista sobre tanta coisa, tornou-se menos materialista, mais preocupada com a poluição do planeta e menos fútil.

“Faz-me confusão ouvir as pessoas queixarem-se do que têm quando já passei por tantos sitios onde as pessoas não tinham nada e ainda assim me ofereciam  o pouco ou nada que tinham.”

Fiquem a conhecer a candidatura da Liliana e não deixem de votar aqui!

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“Descobre a tua limitação e ultrapassa-a, luta para te tornar o que queres ser e tem sempre orgulho em ti. A tua motivação e determinação poderá ajudar mais pessoas a ter a coragem de lutar por o que querem!” Liliana Rosa 

Sofia Franco

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Dia Internacional do Surdo

Mano, sabes que domingo é dia do surdo?

Boa! Vão fazer-me uma festa?!!?!?

Parvo…

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É muito assim, sempre foi assim a forma como encararmos o facto de ter um surdo lá em casa.

Soube que o meu irmão era surdo tinha eu uns 9 ou 10 anos. Foi o meu pai que me contou enquanto lavava as mãos na casa de banho. Assim, simples e directo “sabes que descobrimos que o teu irmão é surdo?” Acho que respondi: Pois!

Na verdade na altura nem percebi o que isso implicaria. Com o tempo e o desenrolar das coisas fui-me apercebendo e habituando. Ainda tive apoio psicológico, umas duas sessões com uma psicóloga que nem sequer era muito simpática, mas depois deixei-me disso. Acho que me fez muito melhor usar esse tempo para brincar na rua ás escondidas e à apanhada.

Senti pouco as diferenças, tirando as luzes que acendem lá em casa cada vez que alguém toca à porta ou o facto de não valer a pena telefonar para o meu irmão, acho que a minha realidade é igual à realidade de qualquer irmã mais velha… passar para segundo plano em algumas situações, ter que dividir tudo, ter que ver alguém estragar os meus brinquedos, sentir a responsabilidade de ter que dar o exemplo e pouco mais.

Para ele sim, é mais duro. Não vale a pena pensarmos numa sociedade perfeita. Ser diferente será sempre uma luta. Ser surdo é por isso uma luta diária. Não consigo imaginar o que vai na cabeça dele quando sai à rua, não sei se existe caos ou apenas silêncio, mas calculo que ele gostasse de nos ouvir, de conseguir falar com qualquer pessoa na rua, de ir às finanças, à segurança social ou a qualquer outra instituição publica sem depender de terceiros. Calculo que ele tal como eu quisesse ser independente, mas tenho duvidas que isso seja possível. Não gosto de coitadinhos e o meu irmão não é um coitadinho, nunca foi e nunca será. É bonito, lindo mesmo, tipo jogador da bola, manequim e modelo fotográfico (mas tudo ao mesmo tempo), inteligente, lutador e um excelente atleta. É chato, na mesma proporção da beleza e muito desconfiado, quer saber sempre o que estamos a dizer, o que a mesa ao lado está a dizer, o que os senhores lá ao fundo estão a conversar e não acredita quando lhe digo que não sei, que não consigo perceber as conversas colaterais. Esta posso afirmar que é uma característica dos surdos, são desconfiados.

Depois há uma coisa que é muito gira, quase ninguém sabe Língua Gestual, portanto, nós gozamos o prato e podemos contar segredos um ao outro numa sala cheia de gente. Também discutimos, as mãos gesticulam mais depressa, e a expressão facial muda. Invento quase todos os dias um novo gesto para me conseguir exprimir e dizer palavras que não sei, ele goza, ri até 2023, depois volta e corrige-me. Já não moro com ele, mas garanto que “falamos” todos os dias (obrigada tecnologia).

Somos o gato e o rato, mas não vivemos um sem o outro. E como todos os cúmplices nem sempre precisamos de verbalizar…basta um olhar.

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Sim, eu digo surdo, não digo deficiente auditivo. Também digo burro, não digo que tem perda de inteligência. Digo cego em vez de invisual , digo velho não digo idoso e digo preto não digo de cor. Sou assim… SEM FILTROS.

Se tiverem interesse em ler coisas mais sérias sobre o assunto. Ficam alguns links:

http://parstoday.com/pt/radio/world-i23135-dia_internacional_do_surdo

http://www.apsurdos.org.pt/

https://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-11-16-Para-la-de-um-mundo-surdo#gs.Gr3cQ1o

MB

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Entrevistas de Emprego – O DILEMA

Este artigo faz parte do grupo dos que andam a marinar há meses. O que vestir numa entrevista de emprego?

Já perdi a conta à quantidade de entrevistas de emprego a que fui, e à quantidade de pessoas que também já entrevistei. Neste segundo capitulo tive de tudo, calções de praia,  chinelos, mini-saias, lantejoulas, maquilhagem de festa, enfim, todo um mundo fora do contexto. Mas também tive candidatos que me meteram no chinelo e me fizeram ter vontade de voltar a casa e mudar de roupa.  E eu sempre que tinha uma entrevista perdia horas de sono a pensar o que vestir, inspirando-me e algumas vezes em antigas chefias ou colegas, mesmo quando isso nada tinha a ver comigo e não reflectia o que realmente eu era (grande erro, percebo agora).

Independentemente do desabafo que vou fazer, quero que saibam que nunca fui a uma entrevista de calças de ganga e/ou tshirt. Mas se calhar numa próxima até vou. Não percebo o fato preto e a camisa branca, muito menos quando não só não tem a ver com a empresa como na maioria das vezes nada tem a ver com a pessoa. Na minha humilde opinião a pessoa deve estar apresentável, cabelo lavado, unhas arranjadas, roupa sem nódoas e sem buracos e acima de tudo deve ir confiante. Se um belo par de sabrinas lhe dá confiança porquê ir de sapatos de salto alto emprestados e parecer uma girafa bebé a andar?

(Lembro-me de ter trabalhado numa cadeia de ginásios em Portugal em que a equipa comercial parecia ter saído de um filme porno com saias pretas por cima do joelho, batom vermelho e 10cm de salto. Estive lá um mês, eu e as minhas sabrinas pretas).

Em Dezembro abracei um novo desafio profissional e depois de ter sido entrevistada por uma miúda que quase parecia minha filha, mas que se vestia como a minha mãe, passei a uma segunda fase onde uma senhora com um vestido de cetim preto e sombra cor de rosa nos olhos me disse que eu tinha “perfil”, olhei para ela e pensei se aquilo boas ou más noticias. Um mês de formação e no meio de tanta coisa técnica o chefe dá algumas dicas, entre as quais,  “não se esqueça de uma regra básica, não se visitam médicos de calças de ganga”. Bonito…vou passar o resto da minha vida a fingir que sou uma menina certinha.

Nota de rodapé: Primeiro dia de visitas e falo com um médico de calças rasgadas e chuteiras de futsal!

Nunca vou perceber estas regras parvas, muito menos quando elas não estão sequer enquadradas com a cultura da empresa nem com o nível de ordenado. Da mesma forma que as hospedeiras de bordo e as meninas da caixa dos hipermercados têm farda, se calhar também as recepcionistas dos escritórios, os empregados das instituições bancárias e das seguradoras, os operadores de call center e todos os outros que são obrigados a vestir o que o patrão quer deveriam ter.

Resumindo e baralhando, o que vestir numa entrevista de emprego?!?!

Aquilo que sabe que vai vestir todos os dias quando for trabalhar, correr para o autocarro, descer as escadas do metro e subir para o comboio:

Roupa limpa, engomada, sem borbotos, sem nódoas e se não tiverem jeito para combinar cores, optem por tons neutros. Nada de tshirts com frases provocatórias e os acessórios não acho de todo que tenham que ser simples, mas também não precisam de ir mascaradas de Carmen Miranda. Estudem a empresa e a função, tentem enquadrar-se. Não tentem agradar só naquele dia. Mostrem confiança e personalidade. Depois se conseguirem o emprego paguem-me um café. Se não conseguirem é porque algo que vos faça mais feliz está para chegar.

Eu sei que não sou dona da razão e que sou muito contestatária, mas digam de vossa justiça,  se estas meninas vos aparecessem à frente não marcavam logo 15 pontos na primeira impressão?

 

Agora vou só ali escolher umas calças pretas para amanhã que não sejam iguais
às de hoje…

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Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço;)

 

MB

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AS BÓIAS DA MODA

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Quem não tem reparado que nos últimos dois Verões têm aparecido unicórnios e flamingos por essa costa portuguesa? Mas também não sei se tinham reparado nos preços proibitivos destes pequenos seres insufláveis.

Este ano, algumas marcas perceberam  que as bóias de praia já não são só para miúdos e aproveitaram  oportunidade de mercado, lançando bóias para adultos a preços bastante simpáticos. E até os hipermercados como Jumbo e Lidl têm tido coisas bem originais.

Eu gosto disto, gosto quando a moda se democratiza, até porque entrei em depressão o ano passado por não ter conseguido vender um rim para comprar um flamingo.

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Entretanto e porque aparentemente o Verão deverá chegar por estes dias e quem sabe ficar até ao Natal, partilho convosco as minhas favoritas, com a primark em grande destaque, e confesso que cá em casa já mora um unicórnio e um tocano, sendo que agora falta uma amiga simpática com piscina em casa que me convide para umas tardes agradáveis até ganhar uma cor decente e poder expor-me ao mundo.

Melancia, Brazilian Bikini Shop, 29,50€

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Donut, Primark, 7,00€

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Flamingo Primark, 12,00€
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Concha Primark – 16,00€

Este colchão confesso ser o meu preferido, 27,90€ e infelizmente não está disponível em todos os pontos de venda Havaianas, ou então as meninas das lojas a que fui querem ter exclusividade e disseram que não tinham!

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A ALE HOP juntou-se à festa e para além das bóias tem também bases para copos. Adorooooooo!!!!

 

E vocês, têm alguma?Qual preferem? Também fingem que só as levam para a praia por causa dos miúdos?  Podem confessar-se, fica só entre nós 😉

MB

Sem filtro

Este é o blogue de mulheres para mulheres que os homens não vão querer perder!

 

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Há ideias parvas que nos passam pela cabeça e que nos ficam no coração.

Esta de escrever um blogue terá sido uma das ideias mais parvas que já tive! E o coração vai atrás… E porque o que faço é com o coração fui atrás de quem fosse parvo o suficiente para ouvir a minha parva ideia! Encontrei amigas do coração! E a diversão e partilha já foi tanta que já valeu a pena ter ideias parvas!

Mas, e afinal, é um blogue sobre o quê?

Prometo que haverá parvoeira mas vamos falar de assuntos sérios! Ser mulher não é fácil, não é fácil estar constantemente associada a estereótipos que variam conforme a década, o país ou até o estado da economia.  E diriam os homens “ estas mulheres são é parvas”. Talvez. Mas somos muito mais que “parvas”, e é preciso ser-se mulher para perceber o que quero dizer, e os homens se não fossem parvos até conseguiam entender.

Vamos falar de mulheres reais, aquelas que temos lá em casa, da nossa tia que cozinha divinamente, ou da nossa mãe que não sabe estrelar um ovo, vamos falar daquela super mulher que conhecemos ou da outra mais tímida que prefere não se dar a conhecer. Vamos falar da mulher que tem uma carreira profissional ou da que optou por ficar em casa com os filhos, espera, vamos falar da que tem filhos e também da que não quer ter.

Parece-me que escolhi um assunto fácil, mas na verdade não é fácil falar de mulheres. Somos tão complexas que tantas vezes nem nós nos percebemos. Tentaremos desvendar os mais antigos mistérios da civilização associados ao feminino, mas acima de tudo queremos quebrar com os preconceitos e estereótipos, somos mulheres reais, com tantos defeitos e cada uma com o seu feitio, temos em comum a mesma capacidade para sermos extraordinárias no que fazemos todos os dias.

E a ambiguidade é tanta que conseguimos no mesmo plano ser tanto e ainda mais seriamos se o tempo nos permitisse.

Uma mulher aos nossos olhos será sempre uma mulher forte, uma mulher determinada, com personalidade, que sabe o que quer, que chora com a mesma franqueza que usa para rir, honesta na sua essência, sexy na forma mais natural do seu ser. E que nenhuma mulher nos diga que não consegue, e que nenhum homem nos negue o direito de o ser.

Somos diferentes mas somos Mulheres reais, Mulheres sem filtro, sem nunca deixarmos de ser principalmente e acima de tudo Mulheres!

Sofia Franco

(mulher sem filtro)

 

 

 

 

Habemus Oscares !!!

Ontem foi noite de Óscares, não perdi o sono nem tive insónias por isso só fui “cuscar”  os vestidos hoje. Ainda bem que não fiquei acordada até tarde porque para ver desgraças sinceramente não valia a pena!  sabem a expressão “sonhos cor de rosa”? Houve alturas em que até achei que ainda não tinha acordado e estava a sonhar com marshmalows.

Destaque para a senhora aqui em baixo , que esteve muito bem , apesar de também em rosa. A  simplicidade do vestido cai bem e não podemos esquecer que já não vai para nova, mesmo assim meteu muitas a um canto!

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Dos rosa passamos para os dourados e metalizados que pouco me convenceram também Pessoalmente e apesar de já ter visto criticas favoráveis não gostei do vestido da Jennifer Lopez , acho que o brilho do vestido ofusca o seu próprio brilho, apesar de morrer de inveja das curvas dela.

O da Brie Larson não é mau de todo, mas mesmo assim não dava um rim pelo vestido

Destaque no entanto para a Glenn Close cujo estatuto já lhe permite usar qualquer coisita.

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Para mim os vencedores foram os vestidos mais simples, mais uma prova que para ser elegante não precisa ser complicado !

Os meus preferidos ficam quase sempre entre o branco e o preto e esta noite não foi excepção ! Lady Gaga estava perfeita neste modelo de Alexander MacQueen em preto e  Regina King neste modelo de Oscar De la Renta estava simplesmente deslumbrante

Por último a minha menção “horrorosa” vai para Olivia Colman cujo modelito está assim ao nível de um cortinado de péssimo gosto e como não discrimino género , se a moda pega “deus nos valha”, vejam bem o elegante vestido preto de Billy Porter.

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Xau Xau ! (é arroz )

Sofia Franco

(sem filtros )

 

Lídia e Bárbara, das Nove às Cinco

 

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Conheci a Lídia e a Bárbara numa conversa informal e animada. Só tínhamos falado por e mail e telefone para marcarmos o nosso encontro mas já estava ansiosa.  Tive um feelling que ia gostar logo delas.As duas formam a equipa por trás da plataforma  “Das Nove Às Cinco”, que promove a entre-ajuda, dá a conhecer histórias de vida e pretende ajudar as mulheres na conciliação entre a vida profissional e familiar.

Contaram-me como nasceu esta ideia e como puseram mãos à obra e passaram do sonho à realidade.

A Lídia é copywriter numa multinacional e a Bárbara, marketeer freelancer. São mães e sentiram na pele a dificuldade em conciliar o horário profissional tradicional,das nove às cinco, com a exigência da recém maternidade. A Bárbara antes de ser mãe tinha uma carreira estável numa multinacional mas como muitas de nós, com horários muito além dos convencionados, perdia tempo de qualidade com o seu filho. Foi depois de ser mãe que decidiu abandonar o seu emprego estável e ser dona do seu tempo, tornando-se freelancer. Agora faz a gestão de acordo com as suas necessidades, consegue acompanhar o filho no colégio, ou ficar em casa quando está doente ,sem sentir a pressão e os olhares incómodos por parte dos colegas quando surgem imprevistos. A Lidia confidenciou-me que ainda não teve coragem “para dar o salto”, sente-se feliz com a profissão que tem e o encaixe monetário mensal é essencial. Esse é uma das grandes dificuldades inerentes à decisão de quem fica em casa . Ou perdemos tempo de qualidade na vida dos nossos filhos, tempo que não volta atrás , ou perdemos qualidade de vida com um orçamento mensal reduzido. Vivemos num país em que infelizmente a maternidade ainda não é vista com a importância que deve, a mulher ainda é discriminada profissionalmente depois de ter filhos, ainda perde oportunidades de carreira por ser mãe, quando o “ser mãe” devia ser visto não como uma falha mas como uma mais valia, uma soft skill essencial em tantas vertentes. Mas não é só profissionalmente que está presente uma certa discriminação . A Bárbara admite, entre dentes, que logo após ter tomado a decisão de ser mãe a tempo inteiro , sente um certo preconceito.

“É mais ou menos assim: Se trabalhamos a tempo inteiro somos más mães, se ficamos em casa somos preguiçosas e não gostamos de trabalhar.” – Confidenciou-me.

Está tanta coisa errada neste raciocínio que posso escrever mais do que um artigo sobre o tema e mesmo assim ficariam coisas por dizer.

Por isso, a plataforma que juntas criaram nasceu da necessidade e vontade de mudar mentalidades e provar  que é possível conciliar as duas valências: a pessoal e a profissional. É possível caminharem de mãos dadas, com uma melhor política de recursos humanos por parte das empresas, cedências e adaptação a horários e necessidades familiares, assim como empenho e vontade, ambição por parte da mulher que trabalha.

As mulheres são capazes de tanta coisa fantástica que esta simples alteração da realidade não devia ser um problema. Não devia ser um problema ser mãe e ser mulher.

A Lídia e a Bárbara vão dando exemplos e escrevendo sobre esta necessidade crescente de alertar para o problema criado por preconceitos sociais, pela discriminação feminina no mundo profissional e na afectação pessoal inerente à qualidade de “ser mãe”, com o objetivo visionário de tornar a nossa sociedade um pouco mais compreensiva com a família, à semelhança do que acontece já em alguns países europeus onde as leis do trabalho são mais conciliadores.

Por nós vamos acompanhando esta plataforma fantástica www.dasnoveascinco.pt

 

E o meu feeling estava certo! Mulheres como Tu, e como eu !

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Sofia Franco

(sem filtro)

 

Mulheres como Tu

Escrever já me trouxe muita coisa boa, mas eu queria mais.  Sempre me senti ligada a temas do mundo feminino, queria ver e conhecer outras pessoas, mulheres com quem pudesse aprender, crescer e ao mesmo tempo inspirar outras.

Assim nasceu este projeto: Mulheres como tu.

Para já, ao longo deste ano, mas espero que continue em permanência no blog, vou encontrar-me, conhecer, falar e apresentar-vos mulheres das mais diferentes àreas, com experiências e histórias de vida únicas que como nós sentem dificuldades, passam por momentos menos bons. São vidas vividas à sua maneira, com semelhanças e diferenças para as nossas, mas com quem podemos aprender e talvez inspirar-nos para aquele projeto que temos vontade mas falta coragem, que sentimos necessidade mas falta o tempo.

Senhoras e senhores, Mulheres como tu!

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O que ninguém te diz sobre a maternidade

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A maternidade não são só rosas e risos.

Há dias em que não apetece levantar. Há dias em que tudo o que queres é que ninguém te acorde às sete da manhã para ligar a televisão, preparar o pequeno almoço ou fazer xixi. Também há noites que não dormes , por uma febre, uma dor de barriga ou uma virose qualquer. Há dias e noites assim.

Não vou mentir e dizer que é sempre fácil, que  não há dias em que penso como seria a minha vida sem filhos. Que não fico pasmada a olhar pela janela sem vontade de despir o pijama.Também tenho dias desses, dos difíceis, dos que apetece hibernar em casa, esconder a vida debaixo de um cobertor e dar uma caneca de café à mente. Tem dias em que é necessário que se faça um esforço, claro que sim .

Ninguém te prepara para o que sentes nos dias maus , nos dias em que colocas em causa a tua vocação como mãe, porque ninguém te disse que iam haver dias assim . Passaste nove meses a preparar-te para os risos e rosas da maternidade, não te avisaram dos espinhos e das lágrimas .Diziam-te que ser mãe é o melhor do mundo , que é uma alegria tão grande ter um bebé e não te avisaram que ias passar noites sem dormir, que dar de mamar dói, que vais sentir-te fraca e cansada muitas vezes.

Olhas para ti , sem ter tido tempo para tomar banho ainda, e não te lembras da última vez  que comeste, passaste o dia a trocar fraldas e a dar de mamar . Estás cansada e deixas cair uma lágrima. E é nesse momento que devias saber que é normal e justo que te sintas assim.

Não és má mãe, não és má pessoa.

É uma realidade que não vês nas redes sociais , não é o cenário perfeito para uma selfie , não consegues dançar nem vestir as calças na semana a seguir ao parto, talvez consigas no mês seguinte , ou no ano seguinte. Um dia vais conseguir.

Mas é importante que saibas que é normal que te sintas triste em alguma altura do teu dia, que te sintas inútil em alguma altura da tua nova vida, que queiras estar sozinha mais vezes , que sintas falta do silêncio e de comer chocolate (não precisas de o fazer às escondidas). Também deves saber que podes escolher, dar de mamar ou não, é uma escolha tua e não afetará a tua capacidade de ser mãe. Ficar em casa ou ir trabalhar mais cedo, é uma escolha tua e não é por isso que amas menos o teu filho. Já agora dou-te um conselho: sai mais vezes, vai ao centro comercial, passa tempo sozinha. Podes fazê-lo, tens esse direito, encontrar um equilíbrio entre o eu e o nós não tem de ser difícil. Não te compares com o que vês, aceita o que és e adapta-te. Sem pressa, tira tempo para aprenderes a ser mãe, chora quando tiveres de chorar para que possas rir em todos os outros momentos. Aprende a relativizar e aceita que nem tudo corre bem.  É mesmo assim. És mãe mas não deixas de ser mulher. Acima de tudo, és humana.

 

Sofia Franco

(sem filtros)

 

A mulher de quem se fala…Cristina!

Começou por ser a Cristina Ferreira da TVI, chegou a ser a Cristina Ferreira do Goucha. Agora é a Cristina, uma mulher, uma marca, uma revista. Basicamente a Cristina é tudo aquilo que quiser ser, onde quiser ser e como quiser ser. Goste-se ou não é a MULHER do momento.

Antes que comecem os “mimimis” aviso já que gosto muito da Cristina Ferreira e o facto de fazermos anos no mesmo dia não pode ser só coincidência. Identifico-me em muitas coisas e por isso este não será um post para cascar!

Agora que estamos esclarecidas, voltemos ao assunto.

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Vi a entrevista e se por um lado acho que houve ali alguma presunção, por outro se há pessoa que se pode gabar do estatuto que atingiu é ela. E ninguém a pode criticar por aceitar um salário milionário. Qualquer uma de nós aceitaria e sem ter que dar satisfações ao mundo. Se ela vale isso? Se o trabalho que faz é meritório de tal? Pois, se calhar não…Mas aí a culpa não é dela, é de todos nós que criámos uma sociedade que vive pelas marcas, pelos luxos, pelo deslumbramento. Fomos nós que criámos uma sociedade que paga mal aos médicos, aos enfermeiros, aos policias, aos bombeiros, aos veterinários, aos investigadores e a todos os trabalhadores em geral. Fomos todos nós, não foi só ela. Ai credo, até pareço uma pessoa séria a falar…

A Cristina Ferreira é aquilo que (quase) todas queríamos ser, bonita, rica, inteligente, poderosa. Mas também faz aquilo que nem todas temos capacidade para fazer, apresentar, escrever, dirigir, dançar, estar longe da família quando o trabalho assim o exige, acordar cedo, fazer dieta, ir ao ginásio, aturar pessoas, ajudar pessoas, etc, etc, etc.

Ah! E tal mas se eu tivesse o dinheiro dela também era bonita. Se eu tivesse um PT também ia ao ginásio. Se alguém me maquilhasse eu também tinha esse ar fresco todos os dias. Pois então façam por isso! Porque eu, vou continuar a acordar as seis da manhã para passear o cão, voltar para casa e tomar um duche, engolir uma tigela de Nestum, sair de casa já a pensar na hora de voltar, borrar os olhos enquanto coloco rimmel em plena A1, arranjar desculpas para não ir ao ginásio e fazer figas para que me saia qualquer coisa um dia destes numa raspadinha!

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A Cristina Ferreira é aquilo que qualquer pessoa quer ser neste momento, uma alface do LIDL!!

MB

Sem filtros

P.S. – Talvez ela tenha borrado a pintura com a história da comparação com a morte da princesa Diana, mas foi dos nervos!

 

 

Desta vez faço tudo errado

foto colinho

Tenho três filhas, a mais recente tem dois meses.

Esforcei-me sempre tanto para fazer tudo certinho como manda o figurino com as mais velhas que o desgaste emocional e físico acabou comigo.

Desta vez faço tudo errado. Desta vez  adormeço-a sempre ao colinho e faço orelhas de burro a quem me venha dizer que estou a habituá-la mal. Se for preciso uma gotinha de Aero-om para acalmar anda sempre comigo no bolso para as ocasiões, e não ligo mesmo nenhuma a quem me venha dizer que  vicio a miúda no doce.

Doce doce é sentir o cheirinho dela bem perto do meu nariz e  esse é o meu verdadeiro vício. Quero aproveitar esta minha maternidade sem culpas ou receios.

Desta vez ela  dorme a noite toda no meu abraço. Acordo de manhã com o braço dormente  mas com o coração cheio e o sorriso dela ao despertar vale por mil dormências. Eu cá não sou dada a termos e não sei se é co-sleeping e não defendo que deva ser assim ou assado . Faço porque preciso de dormir e ela sente-se bem ali, e se as mais velhas sempre correram para a minha cama a meio da noite, esta de certeza não vai ter de correr porque a cama já é dela, sempre. Ela vai crescer  num instante. Num instante está a andar, num instante já corre, num instante já mete rebuçados ao bolso e num instante já se veste sozinha. Num  instante deixa de ser bebé.

Desta vez até dou de mamar e dou em qualquer lado, no restaurante fino ou no banco do jardim. Que me olhe de lado quem tem de olhar, eu olho de frente quem me afrontar. Mas também já dei biberão porque há alturas em que dormir quatro horas é importante,e  a minha saúde e sanidade ainda têm de estar em primeiro lugar. Para sermos cuidadores é preciso cuidar do nosso corpo e da nossa mente, por isso se tiver de sair entrego-a ao cuidado do pai e calço o salto alto só por umas horas.

A verdade é que esta minha terceira, embora não seja “peanuts” também não é um bicho de sete cabeças e os dois meses que já passaram até foram tranquilos, apesar de estar com as mais velhas em casa e ter de me desdobrar por vezes em três tem sido uma maternidade mais calma, tirando o stresse a intensidade do costume.

Sempre mas sempre o mais importante, seja o primeiro ou o quinto é nunca mas nunca duvidar das nossas capacidades. E se para conseguirmos tivermos de fazer tudo errado, pois então um grande viva a todas as mães que fazem tudo errado porque certamente é muito mais difícil que fazer tudo “by the book” que “by the way” eu nunca li …

 

Sofia Franco

(sem filtros)