Para as avós das minhas filhas

post avósOs avós são fixes!

Avós são mimos, beijinhos repenicados, festas do pijama, leitinho com chocolate e bolachas maria.

Avós na verdade são tudo isso e mais liberdade.

Os avós amam porque não sabem não amar, porque os netos são mais que filhos e eles não têm nada para fazer. Roubam tempo ao tempo e de repente são crianças outra vez. Num instante são índios que se escondem, no outro princesas a beber chá. Os avós são saudade.

Tenho a certeza que todas as crianças do mundo concordam comigo, os avós são “fixes”, porque simplesmente não se preocupam com o que está para vir. Já foram pais e agora querem o direito de ser crianças na pele de avós. E todos têm as suas qualidades ou o tal dom que quando somos pequenos nos fascina, e vai ser precisamente esse dom que nos vai fazer derramar uma lágrima enquanto esboçamos um sorriso.

A minha avó conseguia fazer de um bocado de tecido umas calças da moda ou uma camisola de alças para as minhas barbies, era a minha modista preferida e tenho a certeza, que mesmo sem nunca mo ter dito sabia que o que fazia me deixava com os olhos a brilhar de contentamento. Mas o que nunca me sairá da memória é o cheiro do cacau quente acabado de fazer ou o chilrear dos seus periquitos e a sua mão enrrugada.

Agora os avós fazem tai-chi, vão á ginástica, têm aulas de arte, almoçam todos os dias no mesmo restaurante da esquina, fazem “likes” nos nossos “postas”, e entre tanta diversidade de avós há sempre algo em comum. Avós é estatuto! Ganham o direito de ficar com os miúdos quando estão doentes sem reclamar, vencem febres com canjas e curam constipações com beijinhos, vão busca-los às 16:30h e acompanham as aulas de natação, de equitação, de ballet, de ginástica rítmica, de música, como se fosse sempre a primeira vez!

E em casa dos avós há sempre um elogio, uma goma, um rebuçado, um bolinho e um lugar para ficar e brincar.

Ainda bem que existem avós que fazem das nossas crianças mais felizes!

(Para a minha avó:

Hoje vi-te.
O caminho não mudou nem um centímetro, a mesma curva, a mesma roseira florida, juro que até os buracos do alcatrão me pareceram os mesmos.
A mesma pressa no ir, o mesmo medo no voltar.
E ao chegar vi-te sentada, na sombra do teu sol. Serena como sempre. Vi-te e senti-te, na ida e na volta.
Fui a medo, sem saber como. Regressei com a certeza que o tempo não apaga a memória. E hoje fui eu que te roubei ao tempo. E que bem me soube este assalto.)

Sofia Franco

(sem filtro)

 

 

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