Que atire a primeira pedra, quem nunca?

 

visao.sapo.pt/…/2017-08-05-Abdicaria-deles-sem-pestanejar.-Ter-filhos-foi-um-erro.-O-que-dizem-as-maes-que-preferiam-nao-ser

Deparei-me com esta reportagem ontem de manhã e não lhe dei muita importância, pensei para mim mesma” Nada de novo”.
Não fiquei chocada, não me apeteceu fazer comentários. somos como somos e cada um sabe de si. Foi apenas à noite quando ao jantar com uns amigos um deles me alertou para a reportagem e perguntou se eu a ia comentar, que me caiu a ficha. Para mim não é tema, respondi. Somos seres humanos, somos mulheres, há as que querem ser mães e há as que não querem e assumem. Há depois entre umas e outras as que são mães por acidente, sem querer, outras que foram e continuam a ser obrigadas a desempenhar esse papel como a uníca função para que vieram ao mundo.

Os seres humanos erram, as mulheres também.

Ser mãe é mais do que ter filhos. Ser mãe é mais que gerar uma vida. Se existem dias em que eu gostava de não ser mãe? Claro que sim! Ser mãe é ter para sempre uma responsabilidade enorme, gigante em nós. Vivermos com medo todos os dias que algo aconteça. Sermos leoas quando queremos ser ratinhos. Ter filhos é para a vida toda e muito para além dela. Porque não havemos de acreditar que há mulheres que simplesmente não querem ter filhos? Porque nos choca que existam mulheres que nunca os tenham tido por opção? Lembro-me ainda grávida da minha filha mais velha que muitas vezes pensava como é que podia haver mulheres que gostam daquele estado de gravidez? Como podiam gostar dos enjoos diários, do peso nas costas, de não se conseguirem dobrar para apanhar os sapatos? Não confundo de forma nenhuma o desejo ou arrependimento destas mulheres com a falta de amor ou competência para serem mães. Acredito do coração que cada uma delas faz o melhor que sabe e pode, tendo consciência que podem não ter tido outra opção, e que se fosse hoje provavelmente teriam decidido de forma diferente e, mesmo assim, tenho a certeza que não há amor maior como o que sentem pelos filhos. É perfeitamente legitimo que se possam ter arrependido, sejamos sinceras, quem nunca em dia algum não sentiu já uma pontinha de arrependimento?

Pode atirar a primeira pedra, quem nunca.

 

Sofia Franco

(Sem filtro)

 

 

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