Vamos acampar? (experiência, dicas e truques para o futuro…)

imagem post campismo

 

Nunca me lembro de ter tido vontade de acampar em miúda. Os meus pais não eram
propriamente aventureiros e eu, nessa altura, também não.
A primeira vez que acampei tinha 15 anos. Eu e os meus 3 irmãos (1 de sangue 2
emprestados) fomos para um campo de férias na Serra Nevada, em Espanha. Tínhamos
imensas atividades e uma delas era… uma noite de campismo!Saíamos do hotel de tarde e caminhávamos até uma clareira no meio das montanhas, onde à nossa chegada as tendas já estavam montadas. Da primeira vez que entrámos na nossa tenda não se podia com o calor! Eu, a mais velha, disse para não se preocuparem, “abrimos aqui a porta da
tenda para arejar”, as mantas que tínhamos na tenda cedemos aos vizinhos do lado. Assumimos que nos esperava uma noite “quente”, literalmente. Finalmente o sol pôs-se,chegou a noite, e com ela o frio. Foi só nessa altura que percebi o que mantinha a neve no cume das montanhas. Passámos muito frio mas serviu-nos de lição para os anos seguintes: quando voltámos ao campo de férias já não arejámos a tenda nem cedemos as mantas às tendas vizinhas.

Não me serviu de lição para a vida – uns anos mais tarde voltei a ser apanhada
desprevenida. Eu e o Luís (agora meu marido) percorremos a Europa de tenda às costas: um mês inteiro, no Verão, de país em país a acampar. Foi uma viagem inesquecível! A última noite,a nossa despedida antes de voltarmos a casa, foi em Interlaken. As paisagens eram lindas, as montanhas, o lago, de dia muito calor e à noite o mesmo quadro: muito frio e a neve no cume das montanhas (eu devia ter calculado!). Vestimos todas as roupas que tínhamos na mochilas mas mesmo assim mal dormimos. Adormecia, começava a sonhar (com mantas!!), e acordava logo em seguida a tremer de frio e sem mantas.

Há uns anos o Luís voltou a falar em irmos acampar. Eu fui adiando. Primeiro era porque a Margarida era pequena, depois era porque estava grávida, depois era o Duarte pequeno… Fui tendo sempre desculpas e a ideia foi caindo no esquecimento. Este ano, por coincidência, descobrimos em 2 grupos muito diferentes de amigos adeptos do campismo. Grandes entusiastas que acampam com os filhos desde bebés. De repente não tive como fugir. Assim surgiu o plano: estas férias vamos acampar!
Pusemos então mãos à obra: Primeiro passo – o material.
Há várias lojas onde podem encontrar material de campismo e na altura do Verão até o
conseguem comprar em grandes superfícies. Nós optámos por ir à à Decathlon que tem tudo!
Comprámos tenda, colchões e sacos cama – “Go big or go home”!
Decidimos investir agora para termos pretexto para acamparmos mais vezes.
A nossa lista de compras:
* Tenda – a tenda foi “exigência” minha: queria uma “fresh and black” – umas tendas que são escuras, portanto não acordamos mal o sol nasce, e que se mantêm frescas – esqueçam o calor que senti ao chegar à tenda naquele primeiro campismo na Serra Nevada!Valeu o investimento!
*Colchões
*Bomba de ar para encher a tenda e os colchões
*Sacos-cama
*Almofada insuflável
*Manta de picnic para estender no avançado
*Toalhas de microfibra para ocuparem menos espaço
*Lanternas
*Canivete

Depois de termos o material passámos ao segundo passo – decidir para onde ir.
O Luís ficou responsável por escolher o sítio – seguimos o conselho de amigos e fomos para Odeceixe, para o Parque de Campismo de S. Miguel.
O parque é muito bom – tem árvores e portanto muitas sombras (apesar de nós não termos conseguido uma ☹), tem restaurante, supermercado e piscina (só é pena ser paga). Para quem preferir uma opção menos aventureira pode optar por ficar nos bungalows. Os balneários são limpos e têm água quente. À noite passam um filme para crianças às 21h e outro para adultos às 22h. A praia de Odeceixe fica a 10 minutos de carro e se quiserem ir um bocadinho mais longe têm outras praias que podem visitar: Carvalhal ou Zambujeira do Mar .
Terceiro passo – ir!
Os miúdos adoraram! Ajudaram a montar e desmontar a tenda, a lavar a loiça, correram nos relvados, viram as estrelas no céu e até viram uma estrela cadente. Para eles foi uma
verdadeira aventura!
Coisas boas: optámos por ter eletricidade e por isso carregar os telemóveis foi fácil. Não tenho saudades de fazer tempo na casa de banho para não ficar sem bateria. Para nós serviu também para ligar a chaleira que levámos.
Levei um penico para a eventualidade de os miúdos precisarem de ir à casa de banho a meio da noite, mas que a Margarida se recusou a usar apesar de TODAS as noites ter acordado para fazer xixi.
Coisas menos boas: ter de cruzar o parque de campismo a meio da noite para chegar a um wc não é o mais agradável, mas na verdade, se não fosse por ela, tinha sido por mim que  tenho a bexiga pequena e vontade de fazer xixi sempre que não dá jeito. Para mim isto é o pior do campismo, a distância até chegarmos à sanita.
– No 2º dia tivemos fila para o banho (para a Margarida foi uma festa!). Confesso que na altura tive receio de passar um bom bocado das férias na fila para o chuveiro mas foi a única vez que aconteceu, nos outros dias  nunca esperámos.
– O ressonar do senhor da tenda do lado na última noite (nunca tinha ouvido ressonar assim!!).
Quarto passo – aprender com os erros para da próxima irmos melhor!
1. Levar roupa e sapatos quentinhos!
Estamos no Verão, fui preparada para o Verão, mas à noite arrefece muito. Não passámos frio mas para a próxima levo mais mudas de roupa quente e já agora sapatos fechados. Só levei chinelos e sandálias por isso andei sempre com os pés cheios de pó e ervas. Sabem aquela sensação de chegar da praia cheios de areia, tomar um banho e sentirmo-nos limpos e frescos?
Eu sei, mas não senti.  Limpava a areia dos pés para logo a seguir os encher de pó.
2. Levar material para cozinhar no parque de campismo.
Não levámos grande material de cozinha. Levámos uma chaleira para aquecer água, 2 taças e colheres para fazer papa para os miúdos (sim, não deviam, mas ainda comem papa ao pequeno almoço). Eu e o Luís tomámos sempre o pequeno almoço no café do parque e almoçámos e jantámos sempre fora e por isso gastámos muito dinheiro em refeições, para a próxima fazemos nós a comida.
Portanto, resumindo e concluindo, depois desta experiência os meus conselhos são:

1. Procurem uma sombra, vale a pena o tempo que perderem para a encontrar,
de preferência num sítio sem grande desnível e sem muitas pedras (um bocadinho
exigente),
2. Tenham um colchão! Em tempos dormia em colchonete (colchão de espuma) mas as
minhas costas já não são a mesma coisa, e já que é para acampar que seja com algum
conforto ! Há tripartidos e de insuflar, de vários tamanhos e de vários preços.
3. Tenham sacos cama preparados para o frio. Se estiver frio eles aquecem-vos, se estiver
muito calor, dormem destapados!
4. Levem roupa fresca para o dia mas também roupa quente e sapatos fechados que se
possam sujar (ténis por exemplo),
5. Se tiverem o sono leve ou forem sensíveis ao barulho experimentem tampões de
ouvidos,
6. O necessaire convém ter cabide. Nos balneários não é fácil encontrar sítio limpo e/ou
seco onde o pousar,
7. Levem acessórios que vos permitam cozinhar ou preparem-se para gastar algum
dinheiro em refeições,
8. Não se esqueçam do repelente (nesta família só eu fui picada mas ainda me estou a
coçar…)

9. E por fim relaxem e aproveitem!! Eu já estou com vontade de repetir!

SF

(médica de crianças)

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