Porque é que temos de continuar a falar em Mulheres Reais

Li no outro dia um artigo num blog que sigo que referia que o tema ” Mulheres Reais” era  o não assunto do momento. Concordei com alguns pontos que a bloguer refere mas discordo em absoluto  da não necessidade de falar em Mulheres Reais.

Ninguém consegue definir o conceito de Mulher Real, porque é tão subjetivo como a personalidade de cada uma de nós, é tão subjetivo como  o estilo de vida, as preocupações, as ações de cada uma, mas enquanto existirem temas como adolescentes anoréticas por pressão social, ou adolescentes mais gordinhas com vergonha de ir à praia, ou meninas  de oito anos a acharem que o futebol é só para os meninos e meninos da mesma idade a acharem que o cor de rosa é cor de menina devemos falar em mulheres reais. Enquanto continuarmos a criticar as mulheres que saem da maternidade  maquilhadas e elegantes que na semana seguinte já estão no ginásio a fazer abdominais e enquanto   se continuar a criticar a foto que a outra publicou nas redes sociais em que mostra a barriguinha pós parto ou um bocadinho da mama direita enquanto amamenta, temos de continuar a falar de mulheres reais.

Porque falar de mulheres reais pressupõe que aceitamos e respeitamos as diferenças, que respeitamos o facto de existirem mulheres que querem amamentar, e que têm todo o direito de o fazer no banco do jardim , e se por acaso não conseguir tapar por completo a maminha esquerda ninguém vai reparar ou fazer ar de nojo ao passar. Porque o bébé é real, a necessidade é real e a mulher é real, tem mamas , tem defeitos, tem virtudes. Porque falar de mulheres reais também é não julgar a mulher que decide que não quer amamentar, ou a que como eu faz um bocadinho de batota e a meio da noite espeta com o biberão à pequena porque precisa de dormir quatro horas seguidas.

Porque ser uma mulher real também parte de nós, também parte de aceitarmos que há dez anos atrás tínhamos menos dez quilos, mas não tem mal nenhum estarmos a juntar dinheiro para fazermos uma operação às maminhas. Se é o caminho mais fácil, claro que sim! Mas que mal tem sermos um pouco preguiçosas? Que mal tem se podemos, se é o que queremos, seguir o caminho mais fácil? Ser mulher real também é ser feliz, também é fazer o que nos faz sentir bem, sem culpas.

Falar em mulheres reais é mais que postar uma fotografia no instagram com a legenda “sem filtros”, é mais que colocar uma foto despenteada e com olheiras , é mais que publicarmos  um comentário sobre o imperfeita que somos enquanto mães ou como a nossa relação conjugal é amorosa. Porque nunca somos só uma coisa, porque todas sabemos que aquilo que vai parar ás redes sociais muitas vezes não espelha o que somos, apenas cria a ilusão da perfeição que não somos, da vida que não temos.

Eu também fui maquilhada para a maternidade no dia do parto, também levei o estojinho dentro da mala para tirar uma selfie super penteada e maquilhada e agora não paro de rir porque a única selfie que consegui, eu estou de óculos, cabelo mal amanhado e a maquilhagem que levei toda esborratada. Mas é real? Sim! E tão real como a mulher que teve paciência para se maquilhar depois do parto, que conseguiu sair da maternidade de saltos altos e que conseguiu organizar-se no meio de rotinas e hormonas alteradas para fazer algo por si e ir ao ginásio! Tão real como a mulher que simplesmente não quer ter filhos ou como a que decide ficar em casa a tomar conta dos seus , e a quem chamamos de preguiçosa porque não gosta de trabalhar sem fazermos noção da dificuldade que é, ou de lhe chamarmos sortuda porque não precisa de trabalhar….

Sim, é preciso continuarmos a falar de mulheres reais, porque é urgente não julgar!É  urgente aceitarmos que somos diferentes, que fazemos escolhas, que não vamos ser magras a vida toda, que podemos estar bem com o nosso corpo e ao mesmo tempo desejar perder aqueles quilinhos a mais, que os meninos podem vestir rosa e as meninas podem jogar futebol, que a miúda gordinha não precisa de se esconder na praia e que a magricela não precisa de ser chamada de “tábua rasa”, que o que de melhor há no mundo é sermos todos diferentes!

Sofia Franco

“sem filtros”

mulheres reais 3

 

 

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