Mind_of_one , one of us… A nossa experiência na Intercultura AFS Portugal

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A Mind chegou a Portugal tímida, insegura e nervosa. Uma viagem que deixava a sua casa a quilómetros de distância, longe da sua família, amigos e muito fora da sua zona de conforto. No dia em que chegou recebêmo-la com beijinhos e abraços para que sentisse o calor da família. A Mind é tailandesa , muçulmana e adolescente.

Esteve durante um ano a viver connosco, a estudar e experimentar o nosso conceito de família.Teve de enfrentar desafios como estar num país diferente , uma cultura desconhecida, uma língua difícil de aprender, uma religião diferente da sua, mas acima de tudo o seu maior desafio foi chegar ao coração da Clara.

A Clara não é miúda de se dar facilmente e sobre a Mind tinha muito a estranhar. Estranhou a cara redonda, a cor da pele, a forma de ser calada e tantos outros jeitos nela. Para mim enquanto mãe , receber a Mind foi igualmente um desafio gigante. Estou habituada a lidar com crianças, não tenho adolescentes em casa e por isso estranhava nela hábitos característicos da idade como dormir até tarde ou chegar e encavernar-se no quarto. Tive de estabelecer regras para os abusos típicos da idade, insistir em atos simples como fazer a cama ou arrumar a roupa. A Mind pode ser de um país e cultura diferentes, mas a adolescência é universal.

Em casa estabeleceu-se a hierarquia cliché, de mim recebia o autoritarismo maternal, o pai era o fixe e que tentava amenizar as falhas e os choques culturais com a descontração que lhe é característica. Com as miúdas estabeleceu uma relação bonita, a Leonor recebeu-a logo e tentou de imediato transferir para ela a responsabilidade da irmã mais velha, mas foi com a Clara que o “caldo entornou”. Não foi fácil para a Mind “ganhar ” a Clara, no entanto ela foi quem mais sentiu a falta dela no dia da sua  partida. Já quase a terminar o ano, aqui em Portugal, fizemos uma viagem de família por Espanha para que lhe déssemos oportunidade de conhecer um pouco mais da Europa, e as duas já não se largavam. A Mind já faz parte da família , é a irmã mais velha que vive longe e queremos todos voltar a ver.

Quando nos inscrevemos no programa da AFS Portugal , não pensámos que teríamos tanto a aprender e o tanto que com ela viríamos a crescer. Preocupou-me principalmente a religião porque achei que poderia ser o maior entrave à integração familiar, mas decidimos não comer carne de porco durante o ano, em respeito pela religião dela, e ao mesmo tempo a Mind compreendia e festejava connosco as nossas festas tradicionais como o Natal ou a Páscoa.

A Mind manifestava uma imensa dificuldade em tomar decisões , mesmo nas coisas mais simples, como beber água ou sumo ao jantar , bebia basicamente o que lhe punhamos no copo, e se lhe dávamos opção de escolha ficava atrapalhada. Percebemos que esta submissão faz parte de si e da sua cultura,  condição de menina, mulher, pouco habituada a escolhas. Na escola era boa aluna e fazia um esforço abismal para acompanhar as aulas em português, fez amigos portugueses e enquadrou-se bem na turma. A cultura tailandesa é uma cultura pouco dada a afectos , no entanto nunca foi por querer desrespeitosa, foi por vezes irresponsável mas também porque lhe calhou na sorte a mãe portuguesa mais chata com as horas e promessas! Estabeleceu uma relação especial com a cadela da família e abraçou com entusiasmo a tarefa de tratar da Kika.Ter a Mind em casa foi muito mais receber que dar,  demos-lhe durante um ano, comida, casa e acolhimento , mas recebemos um curso intensivo sobre a cultura tailandesa, sobre  a minoria muçulmana que lá reside, sobre a sua condição de mulher. As minhas filhas aprenderam a língua, comeram comida tailandesa que a Mind cozinhou , a Clara em particular cresceu e tornou-se muito mais aberta ao mundo. Tenho a certeza que nunca esquecerão esta irmã mais velha. Não vou dizer que foi super fácil porque não foi. Um ano é muito tempo e nas alturas em “que o caldo entorna” , é preciso ser firme em relação à decisão que tomámos de receber em casa alguém que mesmo não sendo nosso está ali experimentar a impressão de “ser nosso”, o que torna o desafio muito mais difícil. A responsabilidade de educarmos provisóriamente alguém é por vezes asfixiante. Pensava muitas vezes como seria se fossem as minhas filhas, para evitar ser demasiado permissiva ou demasiado intransigente, o que nem sempre é “peanuts”.

Tivemos de lidar com o preconceito alheio, quando saíamos os cinco muitas vezes a Mind era vista como a empregada da família e o meu marido quando saía com ela , tinha muitas vezes de se impôr contra a mentalidade mesquinha, ou do taxista que lhe oferecia boleia para o hotel, ou do homem que lhe dava uns “bitaites” sobre massagens tailandesas. Não é fácil combater o preconceito mas acredito que é assim, obrigando-nos a conviver com culturas diferentes da nossa, a conhecer realidades distintas que educamos mentalidades, que vencemos o racismo, o chauvinismo ou guerras ideológicas. Quebrar preconceitos, aceitar as diferenças, perceber culturas e modos de vida, abrir as portas do mundo para criarmos melhores pessoas e desmistificar o  preconceito é possível. É  só preciso criar laços e conhecer diferenças para aproximar corações e vencer barreiras.

O programa da AFS Portugal recebe anualmente adolescentes de todas as partes do Mundo, por 3, 6 ou 9 meses, aproxima religiões e culturas , dando a conhecer a nossa cultura ao Mundo, ao mesmo tempo que nos permite conhecer outras.

 

Sofia Franco

Até já querida Bá

Querida  Bá (variante de Bábá ou Barbarella), daqui a pouco passo aí para te dar um beijinho, o último nesta vida, e antes que a as mãos me tremam e as lágrimas me turvem a visão quero dizer-te isto:

Desculpa não ter estado mais presente. Deixei que a vida se metesse no nosso caminho deixando para trás as miúdas que comiam torrão de Alicante a qualquer hora , que estavam juntas em qualquer lugar, para passarmos a ver-nos em aniversários, festas, casamentos e batizados. E o nosso jantar de Natal. Devia ter-te ligado mais vezes. Havia em nós o conforto de sabermos que estávamos perto, que os nossos filhos cresciam habituados a nós , mas querida Bá, roubaram-nos o tempo, impediram-nos de continuar a crescer e deixaram-nos sem a bússola que nos indica o Norte.

Achei que estava imune à dor, sei o que é  perda , o processo e as fases do luto. Achei-me maior que a morte só para agora me encontrar no chão, despida e rendida. Não sei nada. Não sou nada.

E mais logo, quando passar por aí , vou estar como todos os nossos amigos, amputada, incrédula e incapaz , mas serei por ti a fortaleza que o amor da tua vida precisar. Vou de muletas mas ergo-me por eles, os teus tesouros, que saberão sempre o que é o amor, que te levarão para sempre nos seus corações maiores que o Mundo.

Não me conformo com a crueldade humana, com a forma vil e impiedosa  com que te levaram o sorriso, esse que nos contagiava e desarmava. Irei sempre lembrar-me de ti , com um olhar cheio de ternura, com as palavras sempre doces, com a tua alegria natural.

Estarás sempre aqui connosco e perdoa-me a escassez de palavras porque nem todas as palavras do mundo conseguirão algum dia descrever o que me custa neste momento respirar. Vou dar um beijinho à tua mãe, ao teu marido e aos teus filhos.

Dá um beijo ao teu pai e já agora se conseguires diz ao meu pai que gosto muito dele.

Até já querida Bá.

 

 

Sofia Franco

Os Dias Da Mulher

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Ela acordou cedo, tinha sono mas as três filhas por despachar já esperavam por ela. Pediu às mais velhas para se vestirem , já tinha preparado a roupa no dia anterior.  Vestiu a bebé e foi preparar o pequeno almoço, pão e leite com chocolate , deu uma bolacha à mais nova para não chorar enquanto comiam. Preparou as três lancheiras para a escola: tirou do congelador uma sopa ( que faz aos domingos para a semana toda) , pegou em duas peças de fruta para triturar, lembra-se que ainda  tem de lavar o biberão da noite para mandar com o leite e juntar uma dose de papa. Mais os lanches das mais velhas que tenta que sejam saudáveis, o pão de leite, o leite com chocolate, os morangos que lavou e cortou.

Já estava quase em cima da hora, as miúdas foram lavar os dentes, levou a bebé para cima e colocou-a no ovinho enquanto toma um duche rápido. Saiu do duche e vestiu-se. olhou para o relógio e apressou-se a chamar as miúdas, só mais um brinquedo, agora a mais velha que se esqueceu do gancho no cabelo, mais um cócó da bebé que tem de trocar , as lancheiras, as mochilas, os casacos. Quer secar o cabelo, quer colocar uma maquilhagem para se sentir mais bonita, quer pôr os brincos e o fio que nunca usou. Quer escolher a roupa com mais cuidado. Quer sentir-se mais feminina, mais mulher. Apanhou o cabelo e saiu carregada para a rua. Tem de voltar atrás porque a mais velha caiu e esfolou um dedo, grita e chora , vai acabar o mundo se não lhe puser um penso. Volta atrás, afasta o cão que quer sair para a rua. Volta a sair de casa, a gata está na rua, mas que raio, mete-a dentro de casa. Os livros, não se pode esquecer dos livros que tem de levar para a escola , a professora pediu por ser o dia da mulher. Leva os livros que falam de mulheres fantásticas que mudaram o mundo. Hoje teve sorte e não apanhou trânsito, chegou a horas à escola das mais velhas, deixou a cama por fazer, a mesa por levantar, a bancada da cozinha ficou desarrumada. Reza para que a cadela não coma a manteiga outra vez ou não ataque o saco do lixo que se esqueceu de trazer. Ela é uma mulher moderna, independente, dá conta de três crianças, trabalha e trata da casa sozinha e está grata por isso. Deixou a mais velha na sala, trocou ideias com a professora, deixou a do meio no pátio a brincar, perguntou à educadora se estava tudo bem, carrega o peso do ovinho até ao carro novamente, a bebé dorme, mas até é melhor assim. Arranca com o carro e vai deixá-la à creche, dá os recados e finalmente respira. Percebe que se esqueceu de deixar a comida a descongelar para o jantar. Fica preocupada mas avança para o trabalho. Chega e prepara a secretária para mais um dia. Faltam dez minutos para a hora. Na hora de almoço aproveita para tratar alguns pendentes, come em cinco minutos. Volta para o trabalho . Sai à hora certa, percebe os olhares dos colegas por não ficar mais tempo, percebe os comentários do chefe, as indirectas que vai ouvindo pelo caminho. Acham que não se dedica o suficiente, não tem “estofo ” para a profissão. Vê os colegas serem promovidos enquanto ela fica pelo caminho, mesmo assim cumpre objetivos e supera expectativas. Prefere não pensar no assunto. Apressa-se para ir buscar as miúdas à escola, dá de mamar à mais nova, leva as mais velhas à música. Vai para casa já tarde, faz a cama que ficou por fazer de manhã, prepara os banhos , mete uns douradinhos no forno e sente-se culpada por lhes dar comida de porcaria. Seca-lhes o cabelo, veste-lhes o pijama, tira a mesa do pequeno almoço, põe a mesa do jantar, limpa a bancada, arruma a loiça da máquina, aspira a sala e a cozinha, quer aspirar o resto mas deixa para amanhã. Leva o cão à rua, chama as miúdas para o jantar.Esperam pelo pai que ficou a trabalhar até mais tarde. Nunca sai a horas. Acaba o jantar e tira a loiça da mesa, deixa a toalha para o pequeno almoço de amanhã. Dá a papa à mais nova e vai adormecê-la enquanto o  marido adormece as mais velhas. Adormeceu com elas, devia estar cansado de trabalhar tantas horas. Vai para o sofá, fica sozinha a ver um pouco de televisão. Descansa mulher. Amanhã começa tudo outravez.

Gosta do silêncio que se faz na casa antes de adormecer. Fecha os olhos até acordar sobressaltada com o barulho do despertador. Já é manhã.

Expliquei às minhas filhas na viagem para a escola o significado do Dia da Mulher, a importância de lutarmos pelos nossos direitos. Perguntaram-me porque não havia um dia do homem , tive de lhes explicar que existe o dia da mulher para nos relembrar enquanto sociedade que a mulher tem os mesmos direitos que os homens , contei-lhes que em alguns países do mundo as mulheres ainda não podem fazer ou ser o mesmo que os homens. Dou-lhes a explicação correcta do Dia da Mulher, ao mesmo tempo que rezo para que não passe na rádio mais um relato de uma mulher assassinada pelo marido, namorado ou amante . Um dia elas também vão escolher alguém com quem por amor vão querer partilhar uma vida, uma casa, uma família. Espero que  tenham o discernimento e a voz para se fazerem valer pelos seus direitos, o direito de partilharem não só uma cama mas também as tarefas, de dividirem não só uma casa mas também os deveres. Que o amor que tenham pela outra pessoa nunca seja superior ao amor que devem ter por si mesmas, que nunca confundam paixão com ciúme e que nunca mas nunca acreditem que se bate por amor, que se subjuga por amor, que se humilha por amor, porque  no coração que ama não há violência, no coração que ama não há maldade.

Que por amor sejam felizes, mas que por amor não se deixem ficar.

Gostava de dizer que mudou muita coisa na rotina das mulheres portuguesas, que me permita festejar este dia com tranquilidade e confiança num futuro melhor. As mulheres ganharam o direito de trabalhar fora de casa, independência financeira, e tantas outras regalias, mas nem por sobras conseguimos ainda o direito à igualdade de género, ainda há muito a fazer e muito a educar. Hoje vamos ouvir como somos extraordinárias, vão haver mensagens, emails e posts nas redes sociais a  gratificar a mulher que somos,vamos ter o jantar feito ou vamos jantar fora, vamos ter uma rosa ou um banho de espuma. Hoje.

Que este dia nos mostre que a única voz que precisamos de ouvir é a nossa. Porque somos extraordinárias. Que neste dia e em todos os outros se levante a voz de todas as mulheres fantásticas  que ainda não se ouviram  para que tenham a coragem de denunciar comportamentos doentios, para sair de uma rotina tóxica, para abandonar o que não as faz feliz, porque não merecem menos . Merecem mais.

Feliz Dia Da Mulher.

Habemus Oscares !!!

Ontem foi noite de Óscares, não perdi o sono nem tive insónias por isso só fui “cuscar”  os vestidos hoje. Ainda bem que não fiquei acordada até tarde porque para ver desgraças sinceramente não valia a pena!  sabem a expressão “sonhos cor de rosa”? Houve alturas em que até achei que ainda não tinha acordado e estava a sonhar com marshmalows.

Destaque para a senhora aqui em baixo , que esteve muito bem , apesar de também em rosa. A  simplicidade do vestido cai bem e não podemos esquecer que já não vai para nova, mesmo assim meteu muitas a um canto!

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Dos rosa passamos para os dourados e metalizados que pouco me convenceram também Pessoalmente e apesar de já ter visto criticas favoráveis não gostei do vestido da Jennifer Lopez , acho que o brilho do vestido ofusca o seu próprio brilho, apesar de morrer de inveja das curvas dela.

O da Brie Larson não é mau de todo, mas mesmo assim não dava um rim pelo vestido

Destaque no entanto para a Glenn Close cujo estatuto já lhe permite usar qualquer coisita.

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Para mim os vencedores foram os vestidos mais simples, mais uma prova que para ser elegante não precisa ser complicado !

Os meus preferidos ficam quase sempre entre o branco e o preto e esta noite não foi excepção ! Lady Gaga estava perfeita neste modelo de Alexander MacQueen em preto e  Regina King neste modelo de Oscar De la Renta estava simplesmente deslumbrante

Por último a minha menção “horrorosa” vai para Olivia Colman cujo modelito está assim ao nível de um cortinado de péssimo gosto e como não discrimino género , se a moda pega “deus nos valha”, vejam bem o elegante vestido preto de Billy Porter.

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Xau Xau ! (é arroz )

Sofia Franco

(sem filtros )

 

Lídia e Bárbara, das Nove às Cinco

 

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Conheci a Lídia e a Bárbara numa conversa informal e animada. Só tínhamos falado por e mail e telefone para marcarmos o nosso encontro mas já estava ansiosa.  Tive um feelling que ia gostar logo delas.As duas formam a equipa por trás da plataforma  “Das Nove Às Cinco”, que promove a entre-ajuda, dá a conhecer histórias de vida e pretende ajudar as mulheres na conciliação entre a vida profissional e familiar.

Contaram-me como nasceu esta ideia e como puseram mãos à obra e passaram do sonho à realidade.

A Lídia é copywriter numa multinacional e a Bárbara, marketeer freelancer. São mães e sentiram na pele a dificuldade em conciliar o horário profissional tradicional,das nove às cinco, com a exigência da recém maternidade. A Bárbara antes de ser mãe tinha uma carreira estável numa multinacional mas como muitas de nós, com horários muito além dos convencionados, perdia tempo de qualidade com o seu filho. Foi depois de ser mãe que decidiu abandonar o seu emprego estável e ser dona do seu tempo, tornando-se freelancer. Agora faz a gestão de acordo com as suas necessidades, consegue acompanhar o filho no colégio, ou ficar em casa quando está doente ,sem sentir a pressão e os olhares incómodos por parte dos colegas quando surgem imprevistos. A Lidia confidenciou-me que ainda não teve coragem “para dar o salto”, sente-se feliz com a profissão que tem e o encaixe monetário mensal é essencial. Esse é uma das grandes dificuldades inerentes à decisão de quem fica em casa . Ou perdemos tempo de qualidade na vida dos nossos filhos, tempo que não volta atrás , ou perdemos qualidade de vida com um orçamento mensal reduzido. Vivemos num país em que infelizmente a maternidade ainda não é vista com a importância que deve, a mulher ainda é discriminada profissionalmente depois de ter filhos, ainda perde oportunidades de carreira por ser mãe, quando o “ser mãe” devia ser visto não como uma falha mas como uma mais valia, uma soft skill essencial em tantas vertentes. Mas não é só profissionalmente que está presente uma certa discriminação . A Bárbara admite, entre dentes, que logo após ter tomado a decisão de ser mãe a tempo inteiro , sente um certo preconceito.

“É mais ou menos assim: Se trabalhamos a tempo inteiro somos más mães, se ficamos em casa somos preguiçosas e não gostamos de trabalhar.” – Confidenciou-me.

Está tanta coisa errada neste raciocínio que posso escrever mais do que um artigo sobre o tema e mesmo assim ficariam coisas por dizer.

Por isso, a plataforma que juntas criaram nasceu da necessidade e vontade de mudar mentalidades e provar  que é possível conciliar as duas valências: a pessoal e a profissional. É possível caminharem de mãos dadas, com uma melhor política de recursos humanos por parte das empresas, cedências e adaptação a horários e necessidades familiares, assim como empenho e vontade, ambição por parte da mulher que trabalha.

As mulheres são capazes de tanta coisa fantástica que esta simples alteração da realidade não devia ser um problema. Não devia ser um problema ser mãe e ser mulher.

A Lídia e a Bárbara vão dando exemplos e escrevendo sobre esta necessidade crescente de alertar para o problema criado por preconceitos sociais, pela discriminação feminina no mundo profissional e na afectação pessoal inerente à qualidade de “ser mãe”, com o objetivo visionário de tornar a nossa sociedade um pouco mais compreensiva com a família, à semelhança do que acontece já em alguns países europeus onde as leis do trabalho são mais conciliadores.

Por nós vamos acompanhando esta plataforma fantástica www.dasnoveascinco.pt

 

E o meu feeling estava certo! Mulheres como Tu, e como eu !

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Sofia Franco

(sem filtro)

 

Mulheres como Tu

Escrever já me trouxe muita coisa boa, mas eu queria mais.  Sempre me senti ligada a temas do mundo feminino, queria ver e conhecer outras pessoas, mulheres com quem pudesse aprender, crescer e ao mesmo tempo inspirar outras.

Assim nasceu este projeto: Mulheres como tu.

Para já, ao longo deste ano, mas espero que continue em permanência no blog, vou encontrar-me, conhecer, falar e apresentar-vos mulheres das mais diferentes àreas, com experiências e histórias de vida únicas que como nós sentem dificuldades, passam por momentos menos bons. São vidas vividas à sua maneira, com semelhanças e diferenças para as nossas, mas com quem podemos aprender e talvez inspirar-nos para aquele projeto que temos vontade mas falta coragem, que sentimos necessidade mas falta o tempo.

Senhoras e senhores, Mulheres como tu!

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O que ninguém te diz sobre a maternidade

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A maternidade não são só rosas e risos.

Há dias em que não apetece levantar. Há dias em que tudo o que queres é que ninguém te acorde às sete da manhã para ligar a televisão, preparar o pequeno almoço ou fazer xixi. Também há noites que não dormes , por uma febre, uma dor de barriga ou uma virose qualquer. Há dias e noites assim.

Não vou mentir e dizer que é sempre fácil, que  não há dias em que penso como seria a minha vida sem filhos. Que não fico pasmada a olhar pela janela sem vontade de despir o pijama.Também tenho dias desses, dos difíceis, dos que apetece hibernar em casa, esconder a vida debaixo de um cobertor e dar uma caneca de café à mente. Tem dias em que é necessário que se faça um esforço, claro que sim .

Ninguém te prepara para o que sentes nos dias maus , nos dias em que colocas em causa a tua vocação como mãe, porque ninguém te disse que iam haver dias assim . Passaste nove meses a preparar-te para os risos e rosas da maternidade, não te avisaram dos espinhos e das lágrimas .Diziam-te que ser mãe é o melhor do mundo , que é uma alegria tão grande ter um bebé e não te avisaram que ias passar noites sem dormir, que dar de mamar dói, que vais sentir-te fraca e cansada muitas vezes.

Olhas para ti , sem ter tido tempo para tomar banho ainda, e não te lembras da última vez  que comeste, passaste o dia a trocar fraldas e a dar de mamar . Estás cansada e deixas cair uma lágrima. E é nesse momento que devias saber que é normal e justo que te sintas assim.

Não és má mãe, não és má pessoa.

É uma realidade que não vês nas redes sociais , não é o cenário perfeito para uma selfie , não consegues dançar nem vestir as calças na semana a seguir ao parto, talvez consigas no mês seguinte , ou no ano seguinte. Um dia vais conseguir.

Mas é importante que saibas que é normal que te sintas triste em alguma altura do teu dia, que te sintas inútil em alguma altura da tua nova vida, que queiras estar sozinha mais vezes , que sintas falta do silêncio e de comer chocolate (não precisas de o fazer às escondidas). Também deves saber que podes escolher, dar de mamar ou não, é uma escolha tua e não afetará a tua capacidade de ser mãe. Ficar em casa ou ir trabalhar mais cedo, é uma escolha tua e não é por isso que amas menos o teu filho. Já agora dou-te um conselho: sai mais vezes, vai ao centro comercial, passa tempo sozinha. Podes fazê-lo, tens esse direito, encontrar um equilíbrio entre o eu e o nós não tem de ser difícil. Não te compares com o que vês, aceita o que és e adapta-te. Sem pressa, tira tempo para aprenderes a ser mãe, chora quando tiveres de chorar para que possas rir em todos os outros momentos. Aprende a relativizar e aceita que nem tudo corre bem.  É mesmo assim. És mãe mas não deixas de ser mulher. Acima de tudo, és humana.

 

Sofia Franco

(sem filtros)

 

Uma vida é pouco para amar

sofia family | is-18Queria tê-las sempre assim, debaixo da minha asa e onde a vista alcança. Queria que o meu colo nunca ficasse pequeno demais para elas. Que a mais velha não tivesse já ares de pré adolescente, que a do meio não fosse já para o primeiro ano e a mais nova, (que vai fazer tudo primeiro com pressa de apanhar as irmãs) ,não  corresse tanto e se demorasse no meu peito. Queria estar sempre com elas, não perder nada do que as faz sorrir, nem chorar. Estar lá sempre que fizesse falta,e estar lá também quando elas acharem que não faço falta nenhuma.

Queria segurar o mundo nas minhas mãos, examiná-lo bem com lentes de aumentar, tirar-lhe os perigos e devolvê-lo já seguro.

Queria tanto não perder nenhum sorriso, nenhuma história ao deitar, aquela música que as faz pular e o miúdo que as faz suspirar.

Principalmente queria que o tempo não passasse tão depressa, que os dias tivessem mais horas e as horas mais minutos.  Que um segundo não fosse um instante e que num instante não fossem já mulheres .  Mas o tempo não liga ao que peço, vai passando e apagando a memória do choro agudo, da cara suja de papa, da primeira palavra e o primeiro passo, do dia em que se sentaram  e daquele em que falaram. O tempo vai levar as memórias de um rosto pequenino, que ao vê-las mulheres nunca mais me vou lembrar. E num instante quando acordar tenho rugas na cara, casa vazia e saudade no olhar. E num instante , nesse mesmo instante , vou desejar ter trabalhado menos e passeado mais, ter gritado menos e conversado mais, ter chorado menos e gargalhado mais. Vou desejar ter dado mais beijos, abraços, colo e mimos. Mais ainda mais. Muito mais.

Se ao menos o tempo pudesse avisar que uma vida é pouco para amar.

 

Sofia Franco

(sem filtros)

 

 

 

 

 

 

Quem é a portuguesa que quer embarcar na proxima expedição Fjällräven Polar?

 

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Conheci a Liliana por acaso, mas assim que pus os olhos nela que soube que tinha algo de diferente. E não me enganei. A Liliana só tem 29 anos mas já correu o mundo sozinha de mochila às costas, vem de uma cidade do interior mas os seus sonhos são do tamanho do Mundo. Pedi-lhe que me contasse um pouco do que já viveu, por onde passou e do que a faz feliz. Não hesitou: os animais e viajar.

Liliana é enfermeira veterinária de profissão, por influência dos seus pais que eram agricultores .Foi há quatro anos que  descobriu que  o seu”bichinho” era mesmo viajar.  Decidiu fazer ouvidos surdos à voz da razão e partiu para a sua primeira viagem a solo  com destino à Indochina. (Vietnam,Cambodja e Laos).

Já viu muito do mundo desde essa data , Tailândia, Myanmar, Austrália. Fiji, Marrocos, Singapura entre tantos outros destinos… Para financiar as suas viagens, a Liliana junta todos os trocos  que consegue e  chegou mesmo a trabalhar nos países de destino como na Austrália, quando o dinheiro chegou ao fim.

Diz que passa horas entretida em planear as suas viagens, sempre de sorriso na boca, mais ou menos o mesmo sorriso que agora tem quando fala da expedição ao Artico Polar Fjällräven Polar, o seu próximo desafio.

“É uma experiência única na vida, algo que se conseguisse conquistar me faria superar a mim mesma , pois na verdade não sou grande amante do frio, e também é por isso que quero tanto ir , para lutar contra a minha fraqueza!”, explica-me a Liliana

Esta expedição é patrocinada pela marca de equipamentos para o ar livre com o mesmo nome e destina-se a “pessoas comuns” que percorrerão os 300km num trenó puxado por cães.

Para ter lugar na expedição Liliana precisa de ser selecionada como uma das representantes da região. A selecão é feita por número de votos. Este ano a Liliana é a unica candidata feminina à expedição.

Confessa que esta sua paixão por viajar e superar-se a si mesma já lhe trouxe alguns dissabores nas suas relações pessoais:

“Criticam-me porque em vez de constituir familia, comprar casa e ter filhos, decidi viajar”, diz Liliana. ” Mas não me importo com a opnião das outras pessoas quando sei que faço o correcto e não faço mal a ninguém.”

Reconhece que viajar mudou o seu ponto de vista sobre tanta coisa, tornou-se menos materialista, mais preocupada com a poluição do planeta e menos fútil.

“Faz-me confusão ouvir as pessoas queixarem-se do que têm quando já passei por tantos sitios onde as pessoas não tinham nada e ainda assim me ofereciam  o pouco ou nada que tinham.”

Fiquem a conhecer a candidatura da Liliana e não deixem de votar aqui!

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“Descobre a tua limitação e ultrapassa-a, luta para te tornar o que queres ser e tem sempre orgulho em ti. A tua motivação e determinação poderá ajudar mais pessoas a ter a coragem de lutar por o que querem!” Liliana Rosa 

Sofia Franco

Sem Filtros

 

 

 

 

 

A mulher de quem se fala…Cristina!

Começou por ser a Cristina Ferreira da TVI, chegou a ser a Cristina Ferreira do Goucha. Agora é a Cristina, uma mulher, uma marca, uma revista. Basicamente a Cristina é tudo aquilo que quiser ser, onde quiser ser e como quiser ser. Goste-se ou não é a MULHER do momento.

Antes que comecem os “mimimis” aviso já que gosto muito da Cristina Ferreira e o facto de fazermos anos no mesmo dia não pode ser só coincidência. Identifico-me em muitas coisas e por isso este não será um post para cascar!

Agora que estamos esclarecidas, voltemos ao assunto.

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Vi a entrevista e se por um lado acho que houve ali alguma presunção, por outro se há pessoa que se pode gabar do estatuto que atingiu é ela. E ninguém a pode criticar por aceitar um salário milionário. Qualquer uma de nós aceitaria e sem ter que dar satisfações ao mundo. Se ela vale isso? Se o trabalho que faz é meritório de tal? Pois, se calhar não…Mas aí a culpa não é dela, é de todos nós que criámos uma sociedade que vive pelas marcas, pelos luxos, pelo deslumbramento. Fomos nós que criámos uma sociedade que paga mal aos médicos, aos enfermeiros, aos policias, aos bombeiros, aos veterinários, aos investigadores e a todos os trabalhadores em geral. Fomos todos nós, não foi só ela. Ai credo, até pareço uma pessoa séria a falar…

A Cristina Ferreira é aquilo que (quase) todas queríamos ser, bonita, rica, inteligente, poderosa. Mas também faz aquilo que nem todas temos capacidade para fazer, apresentar, escrever, dirigir, dançar, estar longe da família quando o trabalho assim o exige, acordar cedo, fazer dieta, ir ao ginásio, aturar pessoas, ajudar pessoas, etc, etc, etc.

Ah! E tal mas se eu tivesse o dinheiro dela também era bonita. Se eu tivesse um PT também ia ao ginásio. Se alguém me maquilhasse eu também tinha esse ar fresco todos os dias. Pois então façam por isso! Porque eu, vou continuar a acordar as seis da manhã para passear o cão, voltar para casa e tomar um duche, engolir uma tigela de Nestum, sair de casa já a pensar na hora de voltar, borrar os olhos enquanto coloco rimmel em plena A1, arranjar desculpas para não ir ao ginásio e fazer figas para que me saia qualquer coisa um dia destes numa raspadinha!

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A Cristina Ferreira é aquilo que qualquer pessoa quer ser neste momento, uma alface do LIDL!!

MB

Sem filtros

P.S. – Talvez ela tenha borrado a pintura com a história da comparação com a morte da princesa Diana, mas foi dos nervos!