Entrevistas de Emprego – O DILEMA

Este artigo faz parte do grupo dos que andam a marinar há meses. O que vestir numa entrevista de emprego?

Já perdi a conta à quantidade de entrevistas de emprego a que fui, e à quantidade de pessoas que também já entrevistei. Neste segundo capitulo tive de tudo, calções de praia,  chinelos, mini-saias, lantejoulas, maquilhagem de festa, enfim, todo um mundo fora do contexto. Mas também tive candidatos que me meteram no chinelo e me fizeram ter vontade de voltar a casa e mudar de roupa.  E eu sempre que tinha uma entrevista perdia horas de sono a pensar o que vestir, inspirando-me e algumas vezes em antigas chefias ou colegas, mesmo quando isso nada tinha a ver comigo e não reflectia o que realmente eu era (grande erro, percebo agora).

Independentemente do desabafo que vou fazer, quero que saibam que nunca fui a uma entrevista de calças de ganga e/ou tshirt. Mas se calhar numa próxima até vou. Não percebo o fato preto e a camisa branca, muito menos quando não só não tem a ver com a empresa como na maioria das vezes nada tem a ver com a pessoa. Na minha humilde opinião a pessoa deve estar apresentável, cabelo lavado, unhas arranjadas, roupa sem nódoas e sem buracos e acima de tudo deve ir confiante. Se um belo par de sabrinas lhe dá confiança porquê ir de sapatos de salto alto emprestados e parecer uma girafa bebé a andar?

(Lembro-me de ter trabalhado numa cadeia de ginásios em Portugal em que a equipa comercial parecia ter saído de um filme porno com saias pretas por cima do joelho, batom vermelho e 10cm de salto. Estive lá um mês, eu e as minhas sabrinas pretas).

Em Dezembro abracei um novo desafio profissional e depois de ter sido entrevistada por uma miúda que quase parecia minha filha, mas que se vestia como a minha mãe, passei a uma segunda fase onde uma senhora com um vestido de cetim preto e sombra cor de rosa nos olhos me disse que eu tinha “perfil”, olhei para ela e pensei se aquilo boas ou más noticias. Um mês de formação e no meio de tanta coisa técnica o chefe dá algumas dicas, entre as quais,  “não se esqueça de uma regra básica, não se visitam médicos de calças de ganga”. Bonito…vou passar o resto da minha vida a fingir que sou uma menina certinha.

Nota de rodapé: Primeiro dia de visitas e falo com um médico de calças rasgadas e chuteiras de futsal!

Nunca vou perceber estas regras parvas, muito menos quando elas não estão sequer enquadradas com a cultura da empresa nem com o nível de ordenado. Da mesma forma que as hospedeiras de bordo e as meninas da caixa dos hipermercados têm farda, se calhar também as recepcionistas dos escritórios, os empregados das instituições bancárias e das seguradoras, os operadores de call center e todos os outros que são obrigados a vestir o que o patrão quer deveriam ter.

Resumindo e baralhando, o que vestir numa entrevista de emprego?!?!

Aquilo que sabe que vai vestir todos os dias quando for trabalhar, correr para o autocarro, descer as escadas do metro e subir para o comboio:

Roupa limpa, engomada, sem borbotos, sem nódoas e se não tiverem jeito para combinar cores, optem por tons neutros. Nada de tshirts com frases provocatórias e os acessórios não acho de todo que tenham que ser simples, mas também não precisam de ir mascaradas de Carmen Miranda. Estudem a empresa e a função, tentem enquadrar-se. Não tentem agradar só naquele dia. Mostrem confiança e personalidade. Depois se conseguirem o emprego paguem-me um café. Se não conseguirem é porque algo que vos faça mais feliz está para chegar.

Eu sei que não sou dona da razão e que sou muito contestatária, mas digam de vossa justiça,  se estas meninas vos aparecessem à frente não marcavam logo 15 pontos na primeira impressão?

 

Agora vou só ali escolher umas calças pretas para amanhã que não sejam iguais
às de hoje…

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Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço;)

 

MB

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